Rotas das Especiarias do Oriente

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Rotas das Especiarias do Oriente

Mensagem por DeniseTeixeiradeOliveira em Sab 21 Jan - 5:58

História de especiarias especiais: As chamadas especiarias do Oriente ganharam o mundo por meio de três rotas oficiais bem conhecidas na História do Homem. A Rota da seda, partindo da China, passando pelo Oriente Médio e Índia. A Rota para Europa e, mais tarde, a Rota (invasão?) dos espanhóis, ingleses e portugueses nas Américas.



Essas três principais rotas de especiarias não só mudaram nossa forma se ver o mundo geograficamente, elas traçaram e marcaram toda a vida da nossa história gastronômica e construíram uma grande parte do modo como cozinhamos hoje, pois permitiu a expansão de sabores e as trocas culturais entre os povos.



Mas antes destas três rotas oficiais, outras importantes rotas existiram e marcaram o costume de diversos povos.

Desde o cumã nas múmias egípcias, passando pelo cravo queimado nos rituais chineses de comunhão com o mundo dos espíritos, até mesmo à utização da noz-moscada para a cura da peste na Idade Média, as especiarias podiam ser encontradas em muitos lugares e isso há muito tempo, mesmo antes das ditas Rotas oficiais.

Aliás, pra parar com essa visão eurocentrista da História (!), vale dizer que os chineses já faziam uma rota de especiarias até a Índia dois mil anos antes de Jesus Cristo. Laughing

Isso é mesmo uma longa estória. Pimenta-do-reino e sal já foram moeda muito valiosa. Claro que brotando apenas na costa oeste da Índia, depois de viajar oito mil quilômetros até chegar à Roma, a pimenta-do-reino devia mesmo valer muito, a viagem durava três anos e, se o navio pudesse aproveitar do levante das monções, nesse caso a viagem ficava reduzida para "apenas" um ano Suspect...!?!

Espécies de especiarias: Mas o que está compreendido na palavra especiarias, afinal? Especiarias não são somente temperos. Alguns distinguem as especiarias propriamente ditas, das ervas aromáticas e dos condimentos.

Nada mal essas três categorias pra reunir o coletivo de especiarias. Mas isso não é tudo.



As especiarias podem derivar de flores, grãos, cascas ou raízes de árvores, folhas, frutos, etc podendo ser utilizadas in natura, secas, e muitas vezes, moídas.

Pensando aqui com meus botões, eu nunca comi um grão do louro, mas minha plantinha vai de vento em poupa e logo terá três anos. Se eu aguentar não colocar as folhas no meu feijão, logo vou descobrir que gosto tem os grãos. What a Face

Mas voltando para o que se entende por especiarias, o chamado "pó-de-5-especiarias" que encontramos no comércio é (normalmente) composto de partes iguais de pimenta rosa, anis estrelado, cravo-da-India, canela e grão de erva-doce.



E o que se usa para a carne de porco estilo "chinês, acrescentam-se-lhe mais: ameixa seca, gengibre e shitake e...pronto!.

Interessante é notar que para nós (digamos, no ocidente), a carne de porco é frequentemente temperada apenas com pimenta do reino moída e sal. Algumas fontes indicam que essa forma de preparação da carne de porco é influência dos romanos..., prova de que estes passaram nos quatro cantos do mundo, inclusive no Brasil Laughing

Especiaria não tão especial assim: Well, é verdade que nem tudo foi flores nessa caminhada das especiarias pelo mundo. Muita gente morreu tentando transportá-las, outras foram mortas pela comercialização e, ainda, outras, por causa da briga que o dinheiro da venda dessas especiarias representava. Resumo da opéra: morreu gente pra dedéu.

Durante mais de um século, algumas delas eram cultivadas em regime de monopólio mundial, o que significou briga política e diplomática por muito tempo, como é o caso das Ilhas Mauricio.

Enfim, a história das especiarias é a avó do fenômeno da globalização de que tanto se fala hoje, e como esta, tem umas partes que, digamos assim, "não cheiram bem". Rolling Eyes

Mas nada comparado ao que inventou hoje em dia a indústria "produtora" de especiarias. Elas tem direito de retirar 30% do sabor e aroma de uma especiaria natural e transformá-la em sabor e aroma sintético/químico, e vender isso no supermercado com o nome da "iguaria". Suspect

Como se não bastasse essa informação enganosa nas etiquetas dos produtos, as empresas fornecedoras de "aromas" são autorizadas a seguinte prática: comprar meia dúzia de pêssegos, por exemplo, colocar em uma panela levada ao fogo, captam o vapor que dali sai, e vender esse ar (eu disse bem : vendem ar!) para as indústrias alimentícias que, por sua vez, adquirem, com isso, o direito de escrever no rótulo dos seus iogurtes e chás: "aroma natural de pêssego". Neutral

Enfim, é de se reconhecer que os tempos mudaram, inclusive para a forma de ver e consumir as especiarias.

Se de um lado a expansão pelo mundo de quase todas essas especiarias nos trouxe coisas benéficas e maléficas, o uso que fazemos dela nos dias de hoje merece um pouco mais de reflexão, pois ainda comporta pontos negativos que estão em constante evolução e, por isso mesmo, fogem do nosso controle, mas atingem diretamente nossa saude.

(...)

E pensar que um punhado de cravo já foi mais caro que ouro e que hoje em dia nem pensamos nele... nem quando entramos no consultório do dentista - sim, aquele cheiro é cravo-da-Índia, e ele ainda tem poder de um bom septicida natural! Smile
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